Como ir de Bariloche a El Bolsón para passar o dia
Passar o dia no povoado rionegrino de El Bolsón tornou-se um clássico das viagens ao sul da Patagônia argentina para quem "faz base" ou reserva a noite numa hospedagem em San Carlos de Bariloche, a cidade mais próxima. Não é que a segunda não tenha paisagens naturais ou propostas culturais suficientes para encantar os visitantes, mas este local em particular, escondido quase no limite com a província de Chubut na microrregião denominada "Comarca Andina do Paralelo 42", não deixa de surpreender e apaixonar os seus visitantes.
Caminho para El Bolsón saindo de Bariloche
Há várias formas de viajar de Bariloche a El Bolsón para passar o dia. Se dispõe de veículo próprio, basta pegar a Rota 40 em direção ao sul. O caminho é simples e seguro, com vistas impressionantes dos Andes. No inverno, convém consultar o estado do clima, já que podem ocorrer geadas.
Outra opção muito utilizada é o ônibus de Bariloche a El Bolsón. Saem do Terminal Rodoviário de Bariloche a cada uma ou duas horas, com diferentes empresas (Las Grutas, Via Bariloche, entre outras). As passagens Bariloche – El Bolsón podem comprar-se online ou na bilheteria, e o custo varia segundo a temporada. É uma alternativa econômica e cômoda, ideal para quem não quer dirigir.
No entanto, a maneira mais prática e completa de realizar o passeio, especialmente se dispõe de pouco tempo, é contratar uma excursão de dia completo.
Excursão imperdível a El Bolsón
A empresa Best Bariloche Tours oferece uma excursão desde Bariloche para El Bolsón pensada especialmente para quem deseja conhecer El Bolsón numa jornada sem se preocupar com a logística. O tour inclui traslado ida e volta, guia bilíngue e paradas nos pontos mais emblemáticos da Comarca Andina.
O itinerário costuma começar cedo pela manhã, pegando a Rota 40 para o sul. No caminho realizam-se paradas para apreciar os mirantes naturais e desfrutar de um café com vistas ao Lago Mascardi. Ao chegar a El Bolsón, o grupo percorre a Feira Artesanal, o centro do povoado e o entorno do Cerro Piltriquitrón, com tempo livre para almoçar e visitar as oficinas de artesãos.
À tarde, a excursão continua em direção ao Lago Puelo, dentro do Parque Nacional homônimo, localizado já na província de Chubut. Este lago de águas turquesas, rodeado de montanhas cobertas de bosque valdiviano, é uma das paisagens mais fotogênicas do sul andino. Lá pode-se caminhar pela praia, fazer uma breve navegação ou simplesmente contemplar o reflexo dos morros na água antes de empreender o regresso a Bariloche.
A excursão completa dura umas dez horas e é ideal para quem procura uma experiência organizada, com acompanhamento profissional e sem se preocupar com a direção ou os horários.
Cultura, história e comunidade de El Bolsón
El Bolsón tem uma história particular dentro do mapa patagônico. Nasceu como um povoado agrícola e pecuário, mas nas décadas de 1960 e 1970 recebeu a chegada de artistas, artesãos e buscadores de uma vida alternativa que, por mais clichê que pareça, encontraram neste vale fértil e protegido "um lugar para começar de novo". Assim surgiu a identidade que ainda hoje o distingue: uma combinação de arte, ecologia e espiritualidade.
A comunidade mantém um espírito solidário e cooperativo que se representa em cada canto do povoado. Há cooperativas de produtores, oficinas culturais e um forte movimento ambientalista que trabalha para preservar os rios e bosques da Área Natural Protegida Río Azul – Lago Escondido (ANPRALE), um enorme território que preserva bosques nativos de coihues, lengas e ciprestes, e que contém uma rede de trilhas e refúgios de montanha que são um paraíso para os caminhantes.
Nos últimos anos, o turismo sustentável tornou-se uma das principais fontes de renda de El Bolsón, com empreendimentos que priorizam o baixo impacto ambiental e o respeito pela biodiversidade. Quem visita o povoado para passar o dia costuma surpreender-se pela tranquilidade que se respira e pela hospitalidade dos seus habitantes.
Em síntese, El Bolsón é um dos povoados mais procurados para o turismo na Patagônia pela enorme variedade de atividades que você pode fazer no dia em meio a paisagens naturais verdadeiramente formosas. Uma das melhores épocas é fevereiro, quando o calor do verão convida a organizar muitos planos ao ar livre e quando se celebra a Fiesta Nacional del Lúpulo (Festa Nacional do Lúpulo). A cidade é reconhecida em todo o país pela sua produção de lúpulo, que é o ingrediente principal da cerveja e a chave do sabor desta bebida. E claro, verão e cerveja combinam perfeitamente, e tudo se torna mais vibrante com música e espetáculos ao vivo.
No entanto, El Bolsón é um destino que se pode visitar em qualquer época, já que, além de contar com um clima agradável durante grande parte dos meses (especialmente entre setembro e abril), podem-se realizar várias atividades segundo o estilo e os gostos de cada visitante.
O que fazer em um dia em El Bolsón: trilhas, refúgios e natureza
Se você tem apenas um dia, uma ótima opção é subir ao Cerro Piltriquitrón (que em tehuelche significa "pendurado nas nuvens"), o pico distinto desta região. Os locais chamam-no simplesmente de "el Piltri". A sua silhueta domina o horizonte e as suas trilhas oferecem caminhadas curtas com mirantes impressionantes. A uns 11 quilômetros do centro, por um caminho de cascalho, encontra-se o acesso ao Bosque Tallado (Bosque Talhado), uma galeria de arte a céu aberto com mais de 60 esculturas talhadas em madeira por artistas de diferentes partes do mundo, sobre troncos de árvores queimados por antigos incêndios. É um dos lugares mais emblemáticos para quem procura um passeio breve mas inesquecível.
Outra opção é realizar uma caminhada curta por algum dos circuitos da ANPRALE. Um dos mais populares é o que conduz ao Cajón del Azul, um recanto escondido onde o rio, de uma cor turquesa quase irreal, se encaixa entre paredes de rocha. Do centro de El Bolsón pode-se aceder em veículo até Wharton (uns 13 km) e de lá começar a trilha. O trecho inicial é de dificuldade média, mas o esforço vale a pena: a paisagem é uma das mais impactantes de toda a Patagônia andina.
Na zona também existem refúgios de montanha onde se pode almoçar ou tomar algo antes de empreender o regresso. Os mais conhecidos são o Refúgio Cajón del Azul, o Refúgio La Playita, El Retamal, Hielo Azul e Encanto Blanco, entre outros.
Para quem viaja pelo dia (bate-volta) saindo de Bariloche, uma boa alternativa é visitar algum dos refúgios mais próximos ao início das trilhas, desfrutar de um almoço caseiro e depois regressar à tarde. O entorno, os sons do bosque e a claridade do rio criam uma experiência difícil de esquecer.
Outro clássico imperdível de El Bolsón é a Feira Regional Artesanal, uma das maiores e mais antigas do país. Nasceu nos anos 70 como um ponto de encontro entre artesãos, produtores orgânicos e artistas, e com o tempo converteu-se no coração cultural do povoado. Instala-se três vezes por semana (terças, quintas e sábados) na Plaza Pagano, o espaço verde central da cidade.
Oferecem-se tecidos, cerâmicas, facas, joias, instrumentos, doces, licores, panificados e muitas outras criações feitas à mão. Também há barracas de comida e música ao vivo, o que transforma o passeio numa verdadeira celebração popular. Para muitos turistas, a feira é a alma de El Bolsón, um reflexo do espírito cooperativo e alternativo que caracterizou a zona desde os anos 60, quando começaram a instalar-se as primeiras comunidades hippies e agrícolas.
Depois de percorrer a feira, vale a pena fazer uma pausa em algum dos bares ou cervejarias artesanais do centro. Graças à qualidade da água e à tradição do lúpulo, El Bolsón conta com várias marcas reconhecidas de cerveja artesanal, entre elas Patagonia, Piltri, Otto Tipp, Lupulus, Parapapoto e El Bolsón, a mais tradicional.
Alguns bares oferecem também música ao vivo, comida caseira e um ambiente relaxado, ideal para desfrutar do pôr do sol antes de voltar a Bariloche. No verão, as calçadas enchem-se de vida e o aroma a lúpulo e pão assado mistura-se com a brisa da montanha.
Para os mais curiosos, existem também circuitos gastronômicos que incluem visitas a chácaras orgânicas, onde se podem degustar frutas finas (framboesas, cerejas, amoras), doces e meles artesanais. Várias famílias locais abrem as suas portas aos visitantes e oferecem produtos elaborados com técnicas sustentáveis, herança de uma comunidade que desde sempre defendeu a vida simples e o respeito pela natureza.
El Bolsón a partir da Rota 40
A Rota Nacional 40, uma das mais míticas da Argentina, é a que une Bariloche e El Bolsón ao longo de uns 120 quilômetros. O caminho, completamente asfaltado e bem sinalizado, serpenteia entre bosques, lagos e montanhas, e permite deter-se em mirantes naturais, rios e paradores de montanha.
Entre os pontos de destaque do trajeto figuram o Lago Gutiérrez, Cascata Los Alerces, Lago Mascardi, a paragem El Foyel e o pequeno povoado de Villegas, antes de chegar ao destino. Todo o percurso é um cartão-postal vivo da paisagem patagônica, com ciprestes, coihues e o azul intenso dos lagos acompanhando a rota.
Quem se pergunta quantos quilômetros há de Bariloche a El Bolsón, deve saber que a distância exata ronda os 120 km, e que a viagem demora cerca de duas horas de carro ou ônibus, dependendo das paradas.
Como e passar um dia em El Bolsón
Para aproveitar ao máximo a jornada, o ideal é sair de Bariloche cedo, entre as 7 e as 8 da manhã. No caminho podem-se fazer breves paradas fotográficas na Rota 40, especialmente nos mirantes que dominam o vale do rio Villegas.
Uma vez em El Bolsón, o primeiro ponto recomendado é o Cerro Piltriquitrón. Se o clima ajudar, pode-se subir de carro até à base da trilha e fazer a caminhada curta até ao Bosque Tallado. As vistas do vale e do rio Quemquemtreu são espetaculares, e se continuar um pouco mais acima, chega-se ao refúgio do Piltri, onde é possível tomar algo quente ou uma cerveja artesanal com vista para os picos nevados.
De regresso ao povoado, a Feira Artesanal é uma visita obrigatória. Lá convém almoçar algo rápido — empanadas, mini pizzas, truta ou tortas caseiras — para depois continuar para os arredores. Se o tempo permitir, pode-se visitar alguma chácara produtora ou fazer uma escapada até ao Lago Puelo, a apenas 15 minutos de carro.
Para quem preferir o senderismo, a caminhada ao Cajón del Azul é uma alternativa incomparável, embora requeira um pouco mais de tempo e energia. Nesse caso, recomenda-se começar cedo e regressar a meio da tarde para estar de volta a Bariloche ao anoitecer.
Qual é a distância entre Bariloche e El Bolsón
A distância entre Bariloche e El Bolsón é de uns 120 quilômetros pela Rota 40 Bariloche – El Bolsón, o que equivale a aproximadamente duas horas de viagem. O caminho está completamente asfaltado e pode-se fazer tanto em carro particular como em ônibus ou excursão. No transporte público, os horários são frequentes durante todo o ano, embora no inverno possam variar segundo as condições climáticas.
A rota Bariloche – El Bolsón é, em si mesma, um atrativo turístico. Combina paisagens de montanha, bosques e lagos glaciares, e em alguns trechos podem-se observar condores ou cervos cruzando a estrada. É um percurso que muitos viajantes consideram parte da experiência e que convida a deter-se em vários pontos panorâmicos antes de chegar ao destino.