De Bariloche a Puerto Varas: como fazer o cruce andino

De Bariloche a Puerto Varas: como fazer o cruce andino

Viajar de Bariloche a Puerto Varas é uma das experiências que mais desfrutam quem procura explorar a Patagônia com todas as suas nuances. Ambos destinos, rodeados de lagos, bosques e vulcões, estão separados pela imponente Cordilheira dos Andes e reúnem o que muitos consideram ser a essência do sul argentino. Percorrer as duas cidades, a do lado argentino e a do chileno, é sem dúvidas uma aventura que convoca milhares de turistas aventureiros todos os anos.

Existem diferentes formas de fazer o cruzamento de Bariloche a Puerto Varas, mas a mais emblemática e recomendada para os viajantes é o Cruce Andino (Cruzamento Andino), também conhecido como o Cruzamento dos Lagos Bariloche–Puerto Varas.

Esta travessia é muito mais que um traslado: é uma excursão cênica que permite descobrir paisagens únicas da Argentina e Chile num só dia. Assim como lê: sem necessidade de reservar hospedagem, trocar dinheiro ou alugar um carro por vários dias. Trata-se de uma rota lacustre que pode fazer-se num sentido ou no outro, e que conecta a cidade argentina de San Carlos de Bariloche com a chilena Puerto Varas, atravessando três lagos e dois parques nacionais. Ao longo do percurso, os visitantes desfrutam de vistas ao Vulcão Osorno, ao Cerro Tronador e aos bosques úmidos da selva valdiviana, uma das mais belas do continente.

A seguir damos-lhe todos os detalhes do percurso e uma alternativa para que não deixe de considerar estes destinos na sua próxima rota de viagem pela Patagônia.

O Cruce Andino: uma excursão inesquecível entre lagos e montanhas

O Cruce Andino Puerto Varas–Bariloche é uma das experiências mais tradicionais e procuradas do sul da América do Sul, e pode realizar-se num só dia ou em duas jornadas, com uma noite intermédia em Peulla, um pequeno povoado chileno rodeado de montanhas.

A Best Bariloche Tours oferece a possibilidade de fazer esta excursão num só dia, com um guia profissional acompanhando cada momento, traslados em ônibus e passagens para as embarcações modernas que se requerem para esta experiência.

O itinerário começa cedo pela manhã, no centro de Bariloche. Os passageiros são trasladados para Puerto Pañuelo, localizado às margens do lago Nahuel Huapi, um dos espelhos de água mais imponentes da Patagônia argentina. Deste ponto parte o primeiro trecho de navegação para Puerto Blest, uma travessia de uma hora na qual se podem apreciar os bosques do Parque Nacional Nahuel Huapi e os cumes nevados que o rodeiam.

Isso é apenas o começo. Ao chegar a Puerto Blest, o percurso continua por terra para Puerto Alegre, onde se embarca novamente para cruzar o Lago Frías. Este lago, de um tom verde esmeralda único pelo degelo glaciar, é o passo prévio ao ingresso no Chile. Depois de uma curta navegação, os viajantes chegam a Puerto Frías, onde se realizam os trâmites migratórios para sair da Argentina.

Uma vez completado o cruzamento fronteiriço, um ônibus contratado translada os visitantes através do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, o mais antigo do Chile, até Peulla, uma pequena localidade encravada em plena cordilheira. Este é o ponto intermédio da viagem, ideal para esticar as pernas, almoçar (esta refeição não está incluída na excursão, pelo que se sugere levar vianda ou comprar em algum dos postos locais) e desfrutar da natureza. Nos arredores de Peulla podem-se fazer caminhadas, cavalgadas ou simplesmente contemplar as paisagens de bosques e cascatas.

Depois desse descanso, o itinerário continua com uma navegação pelo Lago Todos los Santos, também conhecido como Lago Esmeralda, pela intensa cor das suas águas. Este trecho é um dos mais impressionantes da viagem: durante o trajeto obtêm-se vistas panorâmicas do Vulcão Osorno, o Vulcão Puntiagudo e o Cerro Tronador. Se o clima permitir, o reflexo dos vulcões sobre a água oferece um cartão-postal inesquecível.

A última parada é Petrohué, onde os passageiros descem para visitar os famosos Saltos del Petrohué, um conjunto de cascatas formadas pelas águas do degelo. De lá, o percurso continua por estrada margeando o Lago Llanquihue, até chegar à cidade de Puerto Varas, conhecida como a "Cidade das Rosas" e uma das mais pitorescas do sul do Chile.

No total, o Cruce Andino desde Bariloche a Puerto Varas dura 12 horas aproximadamente, e pode fazer-se em ambos os sentidos. Também existe a possibilidade de realizar o tour Puerto Varas–Bariloche, partindo do Chile em direção à Argentina. Em ambos os casos, recomenda-se reservar com antecedência e verificar as condições climáticas, especialmente no inverno.

Uma experiência única na Patagônia

O cruzamento de lagos Puerto Varas–Bariloche é considerado um dos percursos turísticos mais cômodos e lindos do sul da Argentina e Chile. Cada trecho convida a desconectar-se observando o encanto do ambiente natural, a história que rodeia cada parque nacional e a cultura dos povos que os rodeiam.

Os barcos que se utilizam para o cruzamento dos lagos Bariloche–Puerto Varas contam com serviços a bordo, calefação, cafeteria e amplas janelas para desfrutar da paisagem. As excursões são guiadas em espanhol e inglês, e durante o trajeto compartilham-se dados sobre a flora, fauna e geografia do lugar.

E embora a travessia possa fazer-se durante todo o ano, a temporada mais recomendada é entre novembro e março, quando o clima é mais estável e as temperaturas mais agradáveis. Na temporada de inverno, o itinerário mantém-se operativo, embora possa sofrer modificações por condições climáticas.

Para quem quiser estender a experiência, existe a opção de realizar o cruzamento em dois dias, com alojamento intermédio em Peulla. Esta alternativa permite desfrutar com mais calma das paisagens, realizar atividades ao ar livre e descansar antes de continuar para o Chile ou Argentina.

Como chegar a Puerto Varas saindo de Bariloche de carro

Embora o Cruce Andino seja a forma mais icônica de unir ambos destinos, também existe a possibilidade de viajar com veículo próprio ou alugado por estrada, atravessando o Passo Internacional Cardenal Samoré, localizado a 130 quilômetros de Bariloche.

Esta rota conecta a cidade argentina de Villa La Angostura com a sua par chilena Osorno. Está em boas condições e tem boa sinalização. De Osorno, a viagem continua para Puerto Varas, que se encontra a umas duas horas de carro. No total, o percurso entre Bariloche e Puerto Varas por terra tem uma duração aproximada de 6 a 7 horas, dependendo das condições do trânsito e das demoras no passo fronteiriço.

Caso se escolha esta opção, ao fazer o cruzamento terrestre entre Bariloche e Puerto Varas vão solicitar alguns requisitos migratórios e de trânsito. Os viajantes que cruzem têm que ter consigo o seu RG ou passaporte vigente, e em caso de conduzir um veículo, a "cédula verde" (se o carro estiver em seu nome) ou a "celeste" (se o veículo pertencer a outra pessoa).

Também se requer um seguro internacional (SOAPEX), obrigatório para circular pelo Chile, e tramitar na alfândega uma permissão de admissão temporária do veículo, que permite o seu ingresso no país por um prazo determinado. Entretanto, durante o inverno, as autoridades fronteiriças exigem portar correntes para neve, e é recomendável verificar o estado do Passo Cardenal Samoré no site oficial www.pasosfronterizos.gov.cl, já que as condições meteorológicas podem afetar o trânsito.

Como convém cruzar: vantagens e diferenças entre ambas opções

Tanto o Cruce Andino desde Bariloche a Puerto Varas como a rota terrestre pelo Passo Samoré oferecem paisagens maravilhosas e a possibilidade de viver a experiência de atravessar os Andes. No entanto, cada alternativa responde a diferentes estilos de viagem.

O Cruce de Lagos Bariloche–Puerto Varas é ideal para quem procura uma excursão organizada, sem se preocupar com trâmites ou condução. É uma experiência de turismo ativo que combina comodidade e natureza. Além disso, permite desfrutar de vistas únicas desde a água, algo impossível de experimentar por estrada.

Por outro lado, a viagem de carro oferece mais independência e flexibilidade. É a opção preferida pelos viajantes que querem percorrer ao seu ritmo, parar para ver desde os mirantes, visitar a formosa cidade de Villa La Angostura ou explorar a zona de Osorno antes de chegar a Puerto Varas. No entanto, requer maior planejamento, controle do estado das rotas e trâmites aduaneiros adicionais.

Em termos de custos, a excursão desde Bariloche a Puerto Varas tem um valor superior ao de uma viagem terrestre, mas inclui serviços, guia e uma logística que simplifica o traslado. Quem valoriza a experiência tanto como o destino considera que o preço se justifica amplamente pela beleza do percurso.

O que ver ao chegar a Puerto Varas?

Uma vez completado o cruzamento de lagos Puerto Varas–Bariloche, o viajante chega a uma das cidades mais encantadoras do sul do Chile. Puerto Varas combina herança alemã, arquitetura de madeira e uma paisagem natural impressionante dominada pelo Lago Llanquihue e o Vulcão Osorno.

Entre os seus principais atrativos destacam-se a Costanera (orla), com vista panorâmica para o lago, a Igreja do Sagrado Coração e os passeios gastronômicos onde se pode provar a doçaria típica chilena e os pratos de salmão e mariscos. Muito perto da cidade encontram-se o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, o Vulcão Osorno e os Saltos del Petrohué, três visitas imperdíveis para complementar a travessia.

De Puerto Varas, também se podem realizar excursões ao Lago Todos los Santos, à cidade de Frutillar, ou inclusive continuar viagem para Puerto Montt e a Ilha de Chiloé, ampliando assim a experiência turística pelo sul do Chile.

Antes de fazer o cruzamento andino desde Bariloche a Puerto Varas, recomenda-se reservar com antecedência, especialmente durante os meses de verão. Também é importante levar documentação vigente, protetor solar, agasalho leve, impermeável e, claro, celular com bateria para tirar boas fotos em cada momento da viagem.

Se se realiza a excursão no inverno, é aconselhável checar o serviço meteorológico e o estado do passo fronteiriço e as rotas, já que as nevascas podem afetar o itinerário. Em todos os casos, tanto o Cruce Andino como a viagem terrestre são seguros e bem sinalizados, com serviços turísticos consolidados em ambos os lados da fronteira.

O cruzamento dos lagos Bariloche–Puerto Varas é um símbolo do turismo binacional entre Argentina e Chile. E quem o realiza, seja de barco ou de carro, coincide numa mesma sensação: a de ter vivido uma das travessias mais belas do mundo. Boa viagem!